Sesau promove ação para incentivar a doação de órgãos em Maceió

A Central de Transplantes de Alagoas e a Organização de Procura de Órgãos (OPO) promoveu uma ação para estimular, cada vez mais, a população a ser doadora de órgãos. O evento aconteceu próximo ao quiosque da McDonald’s, no térreo do Maceió Shopping, localizado no bairro Mangabeiras.

Na ação, técnicos dos dois serviços, mantidos pela Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) e estudantes do curso de Enfermagem da Universidade Tiradentes (Unit) e Faculdade Estácio de Alagoas, sensibilizaram a população para que cada cidadão se declare doador de órgãos em potencial e torne público o desejo para seus familiares. No evento, a população teve acesso aos serviços de aferição de pressão arterial, testes para hepatite B e C, testes de glicemia e entrega de panfletos informativos e preservativos, além de orientações sobre a importância do ato de doar órgãos e tecidos.

Enquanto espera na fila para ser atendido, o analista de sistemas Rommeo Carnaúba, de 35 anos, disse que desconhecia sobre o assunto porque nunca teve a oportunidade de conversar com alguém. “Eu acho muito confuso essa questão de doar órgãos, pois eu não sei se a doação é feita em vida ou morte. Se o meu órgão pode ser doado apenas com a morte cerebral ou não. Na verdade eu nunca quis entender sobre o assunto, mas acho que chegou a hora, por meio dessa ação”, disse.

Já Marilda de Oliveira, de 58 anos, confessou que as pessoas só sabem da importância da doação de órgãos e tecidos quando alguém da família está na fila de transplantes para receber um coração, rim, fígado ou córnea. “Estou gostando bastante da ação, porque as pessoas estão se preocupando sobre o assunto. Daqui por diante, através das informações que recebi aqui, pensarei com calma em doar meus órgãos. Conversarei com amigos e familiares, já é que posso salvar até cinco vidas com minha atitude”, salientou.

Foi o caso de José Nivaldo da Silva, de 51 anos, que submeteu ao transplante de coração e, hoje, feliz, abre um sorriso largo e trata logo de mostrar como leva uma vida praticamente normal depois da cirurgia ao lado de sua família. Diagnosticado com a doença de Chagas, causada pelo protozoário parasita Trypanosoma cruzi, que é transmitido pelas fezes de um inseto (triatoma) conhecido como barbeiro, Nivaldo começou um tratamento para melhorar o quadro da enfermidade.

Contudo, como a doença já estava em fase crônica, visto que o parasita já estava circulando em seu sangue, a flacidez e, consequentemente, a destruição de sua musculatura eram quase inevitáveis. Isso fez com que ele desenvolvesse a miocardite chagásica, isto é, o aumento do coração.

Logo, não compensava utilizar mais as medicações e o tratamento foi direcionado às manifestações da doença, visando controlar os sintomas e evitar as complicações. Ele não conseguia mais realizar tarefas triviais do dia a dia, como trocar de roupa, levantar da cama, se alimentar e até mesmo falar era difícil. Essas dificuldades permearam durante alguns meses e seu corpo dava sinais de que ele precisava de um transplante de coração. As limitações físicas se intensificaram com o passar dos meses e ele teve de parar de trabalhar como artesão – profissão a qual se dedicava há 25 anos.

Nesse meio tempo, Nivaldo teve uma dor muito forte no coração e precisou ser atendido no Hospital Geral do Estado (HGE), localizado no bairro Trapiche da Barra, em Maceió. Após receber assistência da equipe da unidade hospitalar, foi surpreendido pelo fato de ter aparecido um possível doador. No entanto, o procedimento não pode dar seguimento devido a não preencher todos os requisitos instituídos por portarias e resoluções da OPO.

Da primeira ligação à chegada à Santa Casa de Misericórdia de Maceió, as últimas horas de espera foram de muita comemoração. Quando o coração enfim chegou, o hospital estava em festa e a equipe médica toda mobilizada para iniciar o procedimento, que aconteceu em março de 2017 pelo cardiologista José Wanderley Neto.

“Se estou vivo, devo isso ao gesto de amor de alguém. Gesto de amor que, agora, bate forte nesse coração de um pai de família. Esse transplante me fez dar valor aos pequenos detalhes e amar coisas que antes eu não dava. Hoje eu já não sei o que seria da minha vida sem essas pequenas coisas. Agradeço primeiro a Deus e, depois, a família desse jovem, que teve a boa vontade de doar os órgãos. Que todos tomem essa consciência para que mais vidas sejam salvas”, comemora.

Fila de Espera – Em Alagoas, atualmente 212 pessoas estão na fila de espera para receber um rim, uma para coração e outras 209 aguardam por uma córnea. De acordo com Eleonora Carvalho, coordenadora de enfermagem da Organização de Procura de Órgãos (OPO), doar órgãos é o maior ato de solidariedade, pois o doador tem o poder decisivo de salvar outras vidas.

“Além disso, o doador detém o poder de melhorar a qualidade e prolongar a vida do receptor. Trata-se de um processo bem reflexivo, já que de um lado a família perde uma vida e do outro se ganha uma vida. O importante é que o futuro doador tenha um diálogo bem claro com a família sobre o desejo de doar, pois o poder está nas mãos dos familiares, já que não há necessidade de um documento que comprove a intenção da pessoa, basta que ela deixe isso claro entre seus familiares, ou que estes estejam de acordo com o procedimento”, disse.

Ascom – 21/06/2019

(Visited 1 times, 1 visits today)